#CDRNaMídia – InforChannel: Empresários e governo comemoram aprovação do Redata no Senado

 02/09/2026

Enquanto a indústria de tecnologia e o governo comemoravam a aprovação do Redata, a Coalizão Direitos na Rede (CDR), uma articulação de mais de 40 organizações da sociedade civil brasileira, vinha desde a semana passada criticando a aceleração da votação no Senado, alegando que o tema não foi suficientemente debatido com a sociedade civil. Segundo a entidade, os Data Centers são infraestruturas intensivas no uso de energia, água e território, e seus impactos já geram conflitos e questionamentos em diferentes regiões.

No Ceará, por exemplo, a instalação de um Data Center do TikTok, em Caucaia, ocorre em meio a questionamentos sobre licenciamento ambiental, impactos sobre água, energia e território e ausência de consulta ao povo indígena Anacé. Para a CDR, experiências como essa reforçam a necessidade de avaliar impactos cumulativos e garantir participação das comunidades antes de ampliar incentivos ao setor.

A Coalizão também alerta para o impacto fiscal da proposta. Estimativas da Receita Federal apontam renúncia de aproximadamente R$ 5,2 bilhões em 2026, R$ 1 bilhão em 2027 e R$ 1,05 bilhão em 2028. Diante desse volume de recursos públicos, é fundamental que eventuais benefícios sejam condicionados a contrapartidas efetivas em sustentabilidade, eficiência energética, proteção hídrica, desenvolvimento tecnológico nacional e soberania digital, além de mecanismos de transparência e controle social. O Brasil precisa de infraestrutura digital, mas desenvolvimento tecnológico não pode significar um cheque em branco ao setor privado nem transferir à sociedade os custos ambientais, sociais e fiscais dessa expansão.

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