Por Felipe Rocha e Joana Varon | 09/10/2026
A aposta brasileira na corrida pela inteligência artificial tem sido abrir mão de impostos para que empresas bilionárias de tecnologia instalem seus data centers por aqui. Essa aposta arriscada se concretizou no REDATA, sancionado em setembro após tramitar em regime de urgência, sem passar por comissões. Na pressa, ficou de fora a pergunta mais elementar: a quem serve essa infraestrutura que estamos ajudando a pagar?
Desenvolver tecnologia no Brasil não deveria significar apenas abrir as portas para grandes corporações globais. Pensar a tecnologia a partir do bem comum exige perguntar o que o país ganha de fato com isso e quais os impactos socioambientais dessas infraestruturas nos territórios. Significa garantir que os dados gerados aqui sirvam para resolver problemas locais, que a riqueza produzida seja compartilhada e que essas decisões não fiquem limitadas a gabinetes fechados ou conselhos de multinacionais.
O REDATA, da forma como foi aprovado, faz exatamente o oposto. Ele concede bilhões em incentivos fiscais, mas exige pouquíssima contrapartida e a maioria delas inócua. Estima-se mais de R$7 bilhões em renúncia fiscal até 2028 em troca de destinar só 10% da capacidade ao mercado interno e apenas 2% a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Na prática, subsidiamos uma infraestrutura bilionária, mas seguiremos meros consumidores dependentes de tecnologia alheia.
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